Escrito na capital paulista em julho de 1988, “A Matança dos Pombos” reflete o assombro do ser humano contemporâneo acuado entre o grande capital transnacional que domina e destrói com ganância, e a impotência do cidadão comum em resgatar e transformar o mundo ao seu redor. Todos somos silenciados, e por nossas vozes e atitudes muitas vezes os ecos e refrãos do sistema autoritário se manifesta e perpetua. O dinheiro fala mais alto, silencia e hipnotiza (ou compra), enquanto a natureza, os afetos e as manifestações espontâneas definham. Os artificialismos crescem, as aparências enganam e as tradições são engolidas por uma falsa modernidade usurpadora de direitos.

 

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Quinha Carvalho, autor das fotos que ilustram esta matéria

 

Este filme conta com a participação do fotógrafo matonense Quinha Carvalho, cujos registros do interior paulista aparecem ao fundo. Assustam, enternecem e impressionam, mostrando ecos de um passado não muito distante, engolido pelo agronegócio. “Mais que uma paixão, fotografar serve como uma válvula de escape, um alívio ao estresse do dia a dia. Motiva-me o amor à natureza e também levar as pessoas a apreciarem o mundo e a vida que existe ao redor, que muitas vezes está em nosso quintal e não conseguimos enxergar. Estas fotografias são o resumo de tudo que faz sentido em minha existência e me motiva a persistir.” Sábias palavras de Quinha Carvalho!

 

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Willian Calera: paciência sem limites e muita criatividade

 

Eduardo Waack, o autor do poema, filmado por Valéria Chiozzini dia 07/08/2019, utilizou-se da técnica de chroma-key para sobrepor sua imagem aos registros fotográficos, unindo as duas gravações. Na falta de um fundo uniforme, improvisou com o colchão de casal em pé atrás dele, cujo lençol azul claro serviu de contraste. Não ficou perfeito, mas mantivemos o resultado. É preferível um filme amador honesto a uma superprodução adulterada… A edição das imagens coube ao valente Willian Calera, que fez o possível e o impossível para corrigir e uniformizar os diversos matizes do colchão. Agradeço a Luciano de Miranda (Legião Filmes) pela solidariedade. Um trecho da Missa São Sebastião, composta por Heitor Villa Lobos em 1937, é a trilha sonora incidental. Mais precisamente o Kyrie, conduzido por Daniel de la Puente e interpretado pelo Coro Feminino Alaia, da Espanha. O resultado você confere agora!

 

 

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