Por Eduardo Waack

Em meio ao caos e à barbárie, à pressa e à distração cotidiana, volta e meia somos surpreendidos por um toque, uma percepção ou um estímulo. Para nos tirar da sonolência, afirmando que o belo é sutil, mas prevalece, e as flores crescem sobre o asfalto quente, a vida nos propõe encontros que permanecem gravados na mente e no coração. Assim deu-se comigo, ao conhecer a pequena cantora Mari Cotta, ou melhor, Mariana Carceroni Cotta Iwashima.

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Filha de Fernando e Denise, ambos médicos, Mariana nasceu em Belo Horizonte (MG), em 09 de agosto de 2011. É irmã de Laura, de nove anos. Adora brincar com seus cachorros chamados Pink e Floyd, ama desenhar e escrever cartas. Oriunda de uma família de músicos da cidade paulista de Matão, seu tetravô materno Grimaldo Bonini tocava flauta transversal. O bisavô Alaércio era acordeonista e tecladista, criador de mais de 30 composições. Wilma, sua avó, pianista com formação em conservatório, celebrizou-se por seu “ouvido absoluto”. Seu pai foi vocalista de banda de rock no final dos anos 1990.

Segundo o multi-instrumentista e professor Alan Curátola, ela possui “uma musicalidade muito aflorada e elevada percepção de afinação”. No estúdio montado em sua residência, na capital mineira, passa a maior parte do tempo, com perseverança e paciência. Recomeça quantas vezes for preciso, com a mesma animação, buscando superar-se, aliando técnica e espontaneidade. Criou um canal no YouTube e está presente no Instagram (@maricottamusica).

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E agora há poucos dias inscreveu-se num concurso nacional e foi escolhida para apresentar-se com a cantora Kell Smith num show em São Paulo, dia 28/05, no Teatro Porto Seguro. Juntas, elas cantaram “Mudei”, o novo single de Smith, que está bombando nas rádios de todo o país. Foi um momento único de emoção e beleza. Na plateia, após a apresentação, o produtor musical Rick Bonadio fez questão de ser fotografado ao lado da pequena estrela.

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Encontro de gerações: Kell Smith e Mari Cotta emocionam o público.

A voz de Mari Cotta é suave, doce, maviosa e extremamente afinada. Escutar suas canções é como viajar no tempo e sentir a leveza das melodias de Mozart, um solo de flauta a conduzir a orquestra e a audiência. Quando solta a voz, ela não tem idade, é infinita, rompe o cinturão de ferro da vazia modernidade e exala aromas melódicos. Notas cálidas brotam da fonte límpida de sua inspiração. Ficamos alegres, sensíveis, receptivos e abertos ao futuro, representado pela esperança que ela nos proporciona.

Esperança de dias melhores, de paz na terra aos homens de boa vontade. Na figura de Mari Cotta, menina levada cuja infância é um constante aprendizado, um anjo desceu das alturas para comungar conosco sua pureza e sensibilidade. Muito ainda ouviremos falar este nome!

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Com o produtor musical Rick Bonadio, proprietário da gravadora Midas Music. Rick descobriu, nos anos 1990, o legendário grupo Mamonas Assassinas.

 

Kell Smith e Mari Cotta cantam no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, a música “Mudei”, novo single de Smith, que está presente no álbum “Girassol”, de 2018.