Por Eduardo Waack

 

Ela está presente nos mais diversos eventos políticos e culturais que impactaram o país nas últimas cinco décadas. Figura emblemática da nordestinidade, sua vida é um espelho para todos nós, que nos encontramos em suas variadas facetas. Da menina rebelde que desafiava as convenções sociais da Aracaju de sua infância à mulher madura que com serenidade deixou seu nome inscrito na história brasileira. Cada passo de Ilma Fontes é o início de uma longa caminhada e a concretização de um sonho. Ela não se furtou de conhecer e experimentar o que lhe chegava inusitado. Tomou posições e assumiu bandeiras. Lutou com galhardia e soube amar as pessoas simples de sua terra. Rompeu barreiras e traduziu os anseios de sua geração, sem medo de mostrar a cara. É sobre essa guerreira iluminada — singular, plural, fractal e infinita — que escrevemos apaixonados.

 

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Ilma publicou em abril seu aguardado livro de memórias, intitulado “Tempo Bom, Tempo Ruim”. Para isso vendeu seu automóvel. Para que outros viajassem em sua cabeça que se escancarou como um banquete servido aos famintos comensais. Pois nós temos fome de suas histórias, ela que é um baú de lembranças e — literalmente — um livro aberto cujas páginas o tempo e o vento folheiam ao léu. Temos sede de suas impressões e experiências, e por sua boca sentimos o beijo e o hálito dos amantes realizados, que o sopro da lua espalha suave, e a areia da praia — da sua Rua da Praia — sorrateira envolve.

 

Que poderemos escrever sobre Ilma que não entregue nossa admiração incondicional? Musa idolatrada, poeta inspirada, jornalista aguerrida, cidadã exemplar, cineasta que desbravou as fronteiras de Rio de Janeiro e São Paulo e ousou atuar compartilhando conhecimentos e possibilidades. O muito para ela é pouco, e o pouco é tudo. Firme, decidida, certeira: feminina & masculina. Simples, côncava, convexa: complexa & estonteante. Nasce um manancial de ideias de seu cérebro magnético, e o regato cristalino de sua verve é um monumento à irmandade, abastece o pensamento dos homens e dá poder às mulheres.

 

Somos crianças a brincar em seu jardim encantado, divertimo-nos com suas sacadas geniais embora nos assustemos com a proporção que suas atitudes adquirem no mundo real. Ilma Fontes é cabra da peste que nos cura e sublima os males do espírito. É índigo, é blue e cristal. É a vilã da história contada ao contrário, onde o mocinho é insípido personagem, vaidoso e fugaz. É a bruxa malvada que nos liberta da ilusão cotidiana e da escravidão vigente, apresentando opções para seguir adiante, sem retroceder jamais — a não ser quando isso seja necessário. Nessas idas e vindas Ilma firmou o passo e consolidou seu nome. Conhecê-la melhor é render tributo aos grandes desta nação. Irmã, madrinha, mãe e madrasta. Senhora, moleca, doutora e amiga. “Tempo Bom, Tempo Ruim”, a esperada autobiografia de Ilma Fontes, é leitura obrigatória para o ano de 2019. Pois queremos mais gotas de sua sublime sabedoria nos anos que virão.

 

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Cinco Vezes Ilma

 

“Ilmamenina! Que prazer e alegria poder desfrutar um pouco do seu tempo. Pouco, muito pouco, se comparado aos mais de 70 anos. No entanto, lá se vão décadas de contato através da literatura. Ilma Fontes, essa menina levada, transpira arte e poesia, curte boas amizades e cultiva muito o amor. Enfim, uma mulher, um ser humano de coração saltitante!” — Dinovaldo Gilioli, escritor e eletricitário / Florianópolis (SC)

 

“Conheci Ima Mendes Fontes através de O Capital, do qual ela era redatora e articulista, em cujos escritos apresentava magníficos palmos de prosa e poesia, ricos e acesos, buscando sempre o âmago encantatório das palavras, com leveza e lirismo. Apreciadora do cinema e da fotografia, da arte em geral, estudiosa da estética, da comunicação e da linguagem, crítica da modernidade, considera que a totalidade se revela na singularidade e os estilhaços se compõem de imagens, sem negar, entretanto, que os conhecimentos e as atitudes humanas mudaram, fundindo o ‘era uma vez’, com um tempo pleno de ‘agoras’, onde passado, presente e futuro se cruzam. Ilma resgata o passado na memória, na escuta de vozes que foram emudecidas, possibilitando encontros entre gerações, impedindo o esquecimento que se consolidará caso a barbárie continue a ganhar, porque a ameaça que pesa sobre a humanidade é a perda da memória dos oprimidos, que faz com que os vencidos de hoje não mais se lembrem da história de ontem. Para Ilma, a felicidade não está no tesouro encontrado, mas no arar da terra, em pôr a mão na massa. Evoé!” — Cosme Custódio, fanzineiro e escritor / Salvador (BA)

 

“Falar de Ilma é muito fácil, porque me hospedei em casa dela durante cinco dias. As conversas são longas e as memórias são intermináveis. De repente, ela põe-se a cantar em francês, quase sempre Je Ne Regrette Rien… Eis uma mulher que não se arrepende de nada.” — Jorge Domingos, poeta /Petrópolis (RJ)

 

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“Ainda não me acostumei com a ideia de que O Capital deixou de circular. Como um dos poucos veículos culturais de que dispúnhamos, ele faz muita falta. O veterano jornal de Ilma Fontes prestou inestimável serviço à cultura e às letras e sua importância precisa ser reconhecida e proclamada. Conforta-me saber que ela continua em atividade publicando suas memórias em livro de grande interesse, revelando incontáveis eventos envolvendo a admirável ativista cultural que ela é. Estou certo de que o livro terá o sucesso que merece refletindo o justo reconhecimento devido a Ilma Fontes pelo que vem realizando no campo da cultura.” — Enéas Athanázio, escritor e jurista / Balneário Camboriú (SC)

 

“Ilma Fontes é um baluarte da literatura do Brasil, no momento. Pés cravados na bela Aracaju e cabeça entre os astros, nasceu para cativar e encantar todos aqueles que vivem em seu entorno, com sua graça de mulher privilegiada, voo ameno de garça, em lagos de ternura e alcance de albatroz. Por anos, desfrutei da harmoniosa e abrangente leitura d’O Capital, que a mantinha no caminho das letras, mas agora, com a paralisação daquele alternativo, solicita um momento para reflexão. Foram anos e anos de bom convívio, sem mesmo nos conhecermos pessoalmente. Mas Ilma é por demais irrequieta, não se deixa abater facilmente, por isso sei que continuará, em sua emergente cidade, ao inteiro dispor dos velhos amigos com a mesma firmeza, e batalhando em suas lides com vigor idêntico, participando de todas as manifestações nas letras e nas artes, que se apresentarem em Aracaju. E aqui do meu cantinho, na Ilha do Mel, Vitória do Espírito Santo, continuarei a exaltar seu magnífico trabalho e sua figura ímpar de estilista das letras, porque ela nasceu predestinada e ninguém jamais poderá roubar de seu perfil esse laurel de ouro.” — Humberto Del Maestro, escritor / Vitória (ES)

 

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