Eduardo Waack *

O canto de um pássaro é bonito; muito mais belo é um pássaro livre a voar. Não aprisiones este pássaro dentro de uma gaiola, por maior que ela seja. Se tens a serenidade para contemplar a obra da criação, então estás com esta ave nos céus altíssimos a planar. Afirma aquilo que é belo em ti, e tudo ao teu redor resplandecerá. Escuta as palavras de teu Eu Interior, deixa que ele te fale dos mistérios e caminhos que existem em ti e para ti, e dispõe-te a trilhá-los sem pensar em apossar-se das maravilhas da natureza. Aquilo que é de todos, repousa no coração selvagem, embora a humanidade queira aprisionar aquilo que lhe apetece. Lembra-te de que “a casa de meu Pai possui muitas moradas”, e uma delas está reservada para que te abrigues da poeira, da tempestade e do sol forte. Passado o vento ruidoso, terás que abandoná-la, para que outro a habite. Caminhando, farás o teu caminho. Contempla o sol que nasce toda manhã, e com sua luz fortalece a erva que cresce sadia para te alimentar, alegrar e vestir. Agradece ao reino vegetal pela exuberância com que cobre o planeta, nada deixa faltar à atormentada raça humana. As árvores crescem em direção ao céu, assim também deves almejar evoluir, rumo aos mundos superiores e invisíveis, galgando degrau por degrau teu aprendizado das leis universais. Não julgues aquilo que desconheces, não menosprezes o silêncio, levas em tuas mãos somente aquilo que puderes carregar. De que adianta a mochila cheia, se é apenas peso o que tens que suportar? No momento da grande transição, terás que abandoná-la e levar somente a tua consciência. Lembra-te de que és uma consciência imortal, e não te prendas em demasia nas coisas deste mundo. Uma estrela luzindo na noite escura é farol que leva o navegante rumo ao porto seguro. Estás nesta estrela distante, és o navegante peregrino, teu barco está pronto para partir, não se atrase. Respeita os limites de tua liberdade, e abre as gaiolas para que os pássaros sigam o seu destino. Faz de teu irmão um mestre, e aprendes a separar o joio do trigo. Não esvazies a palavra tagarelando ou usando-a em abundância, e ao avistares uma criança aproxima-te dela com as mãos abertas e o coração desarmado. Buscai em paz o sentido das coisas que ignoras!

* Eduardo Waack é escritor e editor do jornal cultural O Boêmio. Contato: eduardowaack@gmail.com

* Ilustração: Rudolf Koppitz (03/01/1884 – 08/07/1936)

 

 

Anúncios